30.10.17 | Escrito por: O Bom de Viajar

De Carona com Bomde – Cartagena e San Andrés

As aventuras de uma brasileira pelos destinos paradisíacos da Colômbia

A colorida e charmosa Cartagena das Índias é caliente e famosa por suas muralhas, construídas ao redor da cidade como proteção aos ataques piratas, finalizada por volta de 1796. Ruas pequenas, construções históricas, musicalidade, gastronomia, praias e ilhas que juntos fazem desse Patrimônio da Humanidade um lugar único.

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A Ilha de San Andrés é conhecida por seu mar de sete cores e por ser um verdadeiro paraíso caribenho bem pertinho do Brasil. Outras ilhas, que fazem parte do Arquipélago de San Andrés, fazem do destino o oásis dos mergulhadores e otras cositas más.

Michelle Ferreira em Cartagena sentada em frente a muro grafitado.

Michelle Ferreira

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E o que esperar de uma viagem quando juntamos esses dois destinos colombianos incríveis num pacote só? Muita alegria, é claro! E foi pensando nisso que a carioca e apaixonado pelo mundo, Michelle Ferreira, escolheu esses lugares para sua estreia em viagem solo. <3

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A gente não poderia perder um momento tão especial e dois destinos super em alta, não é? 😉 Se essa trip foi sucesso? Vem descobrir De Carona, que a nossa aventura pela Colômbia já vai começar!

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Banner principal do post. Vista de baixo para cima. Construções típicas de Cartagena e, no meio do céu, lettering "Cartagena e San Andrés".
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Cartagena e San Andrés: paraísos colombianos bem pertinho do Brasil!

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Escolhendo o destino…

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A minha ideia inicial era ir à Itália, mas meus amigos também estavam querendo viajar na mesma época, e falaram de um paraíso na Colômbia. Seria uma viagem barata, porém alegre e divertidíssima.

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Começamos a fazer o roteiro e esbarrar nas diferenças: um queria hotel com piscina, outro queria praia, outro só iria se ficasse R$300,00 reais mais barato e, por um momento, eu só queria que todo mundo desistisse (hahaha). Quem nunca? 😀

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Depois de um mês, quando todos desistiram, comprei a passagem e esperei o momento mais incrível da minha vida: eu iria viajar sozinha para o exterior pela primeira vez. Tinha certeza que essa viagem estava escrita nas estrelas!

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A gente nunca está só!

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Como ia viajar sozinha, logo encontrei o site Mesmo Destino (que conecta viajantes que estão indo para o mesmo lugar, no mesmo período) e conheci algumas pessoas que estavam indo para o mesmo destino que eu (alguns antes, outros depois e dois na mesma época). Criamos um grupo no WhatsApp e começamos a trocar informações.

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D I C A  D A  M I C H E L L E : Antes de embarcar nessa aventura, tive que tomar a vacina para febre amarela. Quando eu comprei a passagem, não estavam solicitando a carteira de vacinação. Mesmo assim, resolvi me precaver e me vacinar. Tomando a vacina você ainda tem que aguardar 10 dias para poder ingressar no país de destino que exige esse cuidado. Foi bom eu ter antecipado, pois dois dias antes da viagem, a Colômbia começou exigir que as pessoas estivessem vacinadas para ingressar no país. Ufa!


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Introdução da seção Cartagena. Foto da cidade.

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Partiu, Cartagena!

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A primeira parada foi em Cartagena ou Cartagena das Índias. Uma simpática cidade da Colômbia, banhada pelo Mar das Caraíbas. Fiquei num hostel chamado o El Viajeiro, que reservei antes da minha chegada (e que eu não recomendo, logo vocês vão saber por que)…

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D I C A  D A  M I C H E L L E : Assim que cheguei, comprei um chip local… Na Colômbia a internet não funciona muito bem. Em Cartagena o acesso é melhor, mas na ilha de San Andrés é quase impossível.


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Adelante!

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Animação de Michelle Ferreira em festa, primeira foto. Segunda foto, Michelle segurando uma cerveja gelada.

Cerveja na Cidade Amuralhada e foto da festa Media Luna

Cheguei às 22h e peguei um táxi até o hostel, que custou uns 12.000 pesos colombianos (em torno de R$12,00). Esse hostel fica dentro da Cidade Amuralhada, no coração de Cartagena, onde fica a parte antiga da cidade e também as principais atrações turísticas.

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A muralha foi construída para proteger a cidade dos ataques de piratas e hoje é um excelente passeio de fim de tarde. As diárias no hostel que escolhi variam entre 60.000,00 e 45.000,00 pesos (R$45,00 e R$60,00).

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D I C A  D A  M I C H E L L E : Todas as quartas-feiras acontece uma festa no hostel Media Luna. Uma festa bem animada e ótima para conhecer pessoas. Ir sozinho não é um problema, você conhece pessoas do mundo inteiro, culturas diferentes, se encanta com vários estilos de vida e já arruma companhia para conhecer a cidade ali.


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Michelle Ferreira em frente a casa com porta roxa e paredes rosas. Sacada florida na parte superior e luminárias nas laterais.

Cartagena é linda, cheia de construções históricas. As campainhas das casas ainda são de ferro e as sacadas têm muitas flores, que dão um colorido especial à cidade. Um lugar muito limpo, de praças sempre cheias e muitas manifestações da cultura local.

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Há muito que fazer na Cidade Amuralhada!

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É possível conhecer tudo caminhando, de bicicleta ou de românticas charretes (mas essas podem acabar ficando presas no trânsito).

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Há muitas igrejas, todas incríveis! É normal se pegar no meio da praça assistindo uma noiva entrar na igreja.

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Ainda dentro da muralha, você pode ver o pôr do sol no Café Delmar. E tem muitas opções de bares. As cervejas locais como a Aguila e a Club Colombia custam cerca de 2.500 pesos cada (R$2,50!). Você pode almoçar muito bem por 20.000 pesos (R$20,00).

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¡Las atracciones!

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Fora da muralha há ainda locais interessantes como o bairro Getsemaní, o Castelo de San Felipe de Barajas (maior obra militar espanhola no Novo Mundo) e a Arena de Touradas (onde acontecem partidas de Baseball). No porto você encontra passeios para Isla Branca, Isla del Rosario, entre outras.

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Michelle Ferreira posando ao lado de homem "levitando" nas ruas de Cartagena.

Típicas construções da cidade de Cartagena em ruela florida.

Campanário no centro da cidade.

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¡Ay, qué calor!

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Cartagena é muito quente! Todas as noites, próximo à Praça do Relógio, a energia muda e os bares começam a encher. Um deles é o El Fidel, a melhor Salsa de Cartagena, impossível não dançar!

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Outro também muito agradável é o bar Argentino, com “a cerveja mais gelada do que o coração do seu ex”. A música é bem forte por lá. Mercado, farmácia, táxi, Uber, sempre com música bem alta e dançante. Mas nem tudo são flores…

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D I C A  D A  M I C H E L L E : Sempre é bom andar com uma garrafa d’água na mochila. É normal ver várias pessoas tomando uma cervejinha antes das 9h da manhã.


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Se teve perrengue? Teve perrengue!

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Lembram que falei que não recomendo o hostel El Viajeiro? Chegou a hora de revelar os motivos.

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No terceiro dia, meu cofre no hostel foi arrombado e pegaram todo o meu dinheiro. O gerente do hostel me disse que não era problema dele, se negou a chamar a polícia e disse que se eu quisesse, eu teria que ir a uma delegacia. Peguei o táxi e o motorista disse que ficava à uma hora da muralha e à noite estaria fechada.

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No dia seguinte, solicitei que chamassem a polícia novamente, porém, o hostel se negou. Depois de muito custo, a polícia chegou… A verdade é que fui à rua chamar um policial. Os funcionários do hostel não permitiram a entrada deles e falaram que estavam rescindindo o meu contrato por má conduta (?!).

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Fui para a delegacia do turista, uma advogada entrou no carro comigo e voltamos ao hostel. Na conversa com o proprietário, ela disse que a Colômbia é mal vista por todo mundo devido ao narcotráfico, e que agora as pessoas estão começando a se sentir seguras para visitar o país. Então, se algo desse tipo ocorre, eles têm a obrigação de acionar a polícia e dar apoio ao turista.

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Enfim, foi me dada a opção de abrir um processo e voltar à Cartagena depois de 3 meses para audiência ou fazer um acordo que incluía: dinheiro para ficar os outros dias na cidade e mudar para outro hostel. Na situação em que eu estava, o melhor foi aceitar o acordo.

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Michelle Ferreira acompanhada de amigas tomando cerveja no El Fidel.

Mudei então para o hostel Casa Escallon e fiquei impressionada, pois ainda era dentro da cidade amuralhada, mais barato, com piscina, porém pouco conhecido.

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Lá conheci um colombiano, uma norueguesa, uma americana e uma peruana e até hoje não sei como a gente conseguia se comunicar tão bem! Passamos minha última noite em Cartagena dançando salsa no El Fidel e às 6h da manhã parti para San Andrés com um gostinho de quero mais.

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Introdução da seção San Adrés. Foto de ilha em meio a mar de água azul cristalina.

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Partiu, San Andrés!

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Cheguei em San Andrés e me senti protagonizando um episódio do programa de TV “Barrados na Fronteira” hahaha.

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Para entrar em San Andrés é necessário pagar uma taxa de aproximadamente 130.000 pesos (R$130). Como fui furtada, não tinha dinheiro suficiente para entrar no paraíso! Um policial da imigração me apresentou o Fabrício, um brasileiro que iria para o mesmo lugar. Esse anjo pagou minha entrada e eu fiquei de devolver o dinheiro assim que chegasse em San Andrés.

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Fomos andando do aeroporto até o centro de San Andrés, cerca de 15 minutos de caminhada. Consegui transferir um dinheiro para uma menina chamada Michelle, que conheci pelo site Mesmo Destino. Assim que chegamos à ilha, nos encontramos e ela me entregou o dinheiro e eu pude pagar o Fabrício. Ufa!

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Outro sufoco parcialmente superado, aproveitei para tomar aquele banho de mar que lava a alma e bebi um drink típico local chamado “coco loco”.

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Michelle Ferreira segurando uma arraia em águas cristalinas em Mantarrayas.

Mantarrayas

Como o Fabrício não havia fechado nenhum hostel, acabou indo para o que eu já havia reservado. Era bem localizado, ótimo preço, confortável e poucas pessoas: hostel Santa Catalina.

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No segundo dia fui ao encontro de um colombiano nativo que uma amiga me indicou, o Ricardo. Ele me deu todas as dicas da ilha, um mapa e me emprestou mais 500.000 pesos (R$500,00). Outro anjo!

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Ainda no segundo dia, Eu, o Fabrício e o Diego (um colombiano circense que mora em Londres), alugamos um carrinho de golfe que custou 120.000 pesos (R$120,00) e fizemos o passeio em torno da ilha.

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Turistando!

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Michelle Ferreira flutuando sobre mar cristalino cheio de peixinhos.

Conhecemos La PiscinitaWest View (pequeno parque aquático), Rocky Cay (uma ilha que você consegue ir andando) e o Hoyo Soplador, é um buraco numa pedra de onde sai um jato forte de água produzido pelas ondas que chocam contra uma série de túneis. Essa atração fica mais ao sul da ilha. Em West View, almocei uma comida típica, o que me fez passar muito mal e ficar uma noite de cama.

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No terceiro dia conheci o Alex, um australiano que mora em Medellín, a pessoa mais alto astral que já conheci. O hostel era muito animado, música e drinks toda noite.

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Nesse dia, pela tarde, eu optei pelo mergulho que custou 180.000 pesos (R$180,00).  A vida marinha é muito rica na ilha, você vê várias espécies de peixes e passa por grutas. São poucas pessoas no grupo para mergulho, e ainda recebe fotos e vídeos do mergulho no dia seguinte. Super recomendo!

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No quarto dia fomos conhecer a ilha mais famosa de San Andres, Johnny Cay, onde passamos algumas agradáveis horas. Lugar lindo, fácil de ser explorado e cheio de iguanas gigantes.

Michelle Ferreira mergulhando em mar de águas azuis profundas.

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A próxima parada foi Mantarrayas. Um aquário com arraias gigantes e piscinas naturais com diversas espécies de peixe. Por fim, fomos ao manguezal onde foi gravado o filme Anaconda (muitos acreditam que o filme foi gravado na Amazônia, mas não foi). O passeio para esses três lugares ficou em 40.000 pesos (R$40) por pessoa.

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No quinto dia fizemos um animado passeio de parasail (voo suspenso por um paraquedas puxado por uma lancha). É possível ter uma vista de toda a ilha, inclusive as sete cores dos mares de San Andrés. O passeio custou 150.000 pesos (R$150,00 e vale cada centavo!). Inesquecível!

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Michelle Ferreira e amigos na praia Johnny Cay. Guarda sois azuis e areia clarinha. Palmeiras ao fundo.

Johnny Cay

Michelle Ferreira no parasail colorido em dia de céu claro e azul.

Parasail

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À noite fomos para a boate Coco Loco (mesmo nome do drink local) e dançamos muito reggaeton (o ritmo é predominante por lá).

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Todos os passeios eu fechei com o Ricardo Camacho (um dos anjos que me ajudou), que inclusive oferecia os melhores preços pelos passeios na ilha. Só depois descobri que o Ricardo é dono de uma pousada super bem avaliada e com um excelente custo-benefício em San Andrés, a Casa Tropical Coral. Se eu soubesse antes, teria me hospedado lá. Ficou para a próxima! 😀

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Me despedi aos prantos! Trouxe na mala muitas lições aprendidas, muitos momentos inesquecíveis e paisagens memoráveis no coração. Em geral, me apaixonaria mais. Posso dizer que os melhores romances acontecem nas melhores viagens. <3

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D I C A  D A  M I C H E L L E : Sobre a viagem, o que eu faria de diferente em relação dinheiro, seria enviar via Western Union, por exemplo, e retiraria aos poucos, para não correr o risco de ser furtada e ficar sem dinheiro. Também faria uma procuração para que pessoas conhecidos no Brasil pudessem ir ao meu banco, pois meu cartão foi bloqueado e eu também não conseguia sacar dinheiro.


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A Colômbia não é um país rico, enfrenta muitos problemas sociais, mas o povo é alegre, receptivo e prestativo. Boa parte vive do turismo e, por isso, fazem questão de tratar bem todo mundo.

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Além disso, muitas pessoas me ajudaram quando tive problemas, sem que eu esperasse por isso. Afinal, geralmente a gente não espera que um desconhecido te empreste 500.000 pesos, ou que pague sua taxa para ingressar na ilha ou que receba o dinheiro transferido para um desconhecido exatamente como combinado.

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Michelle Ferreira e amigos na praia em San Andrés.

Estamos muito desacreditados, mas eu conheci pessoas com corações gigantes, verdadeiros anjos colombianos, que hoje posso considerar meus amigos. Para a minha primeira viagem sozinha, posso dizer que foi incrível!

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Me fez acreditar que existem pessoas boas, que nada é impossível e que você tem que ter no mínimo um aplicativo tradutor no celular. 😀 Uau, que viagem! Quanta emoção na estreia da Michelle, não é? Que venham mais viagens solos e que você ganhe cada vez mais o mundo. Até a próxima!